segunda-feira, 7 de maio de 2012
A sua mãe, com amor
Bom dia Mãe,
Quanto tempo não te escrevo, porém, tu bens sabes minha senhora e amiga que saudades não faltam e letras tão pouco.Não mais as primeiras letras que me apresentastes quando cortava eu seus rolos de cabelo
e deles compunha letrinhas de forma para escrever EU TE AMO MAE. Agora sou digital.
Sempre achei que escrever a ti não era necessário. Melhor telefonar, melhor estar com você e batermos aquele papo de mae e filho. Outrora, teu silêncio era a melhor expressão da comunicação, enquanto simplesmente me ouvias, porque eu compreendia tuas respostas as minhas dúvidas, pelo que tua face trazia de luz ao meu entendimento.
Nem os espelhos d´água são tão misteriosos quanto teu olhar, posto que nas águas o que se reflete depende de onde estamos e em ti não, já que nada deixa de ser transparente, límpido e ao mesmo tempo espelho da verdade que sou.
Queria te mandar um presente porém me faltou para isso. Me recordo que nas minhas intrépidas aventuras como aprendiz de vendedor, o dias da minha mãe tinham que ter bolo e presente. Afinal minhas mãos precisavam entregar algo à quem as segurou por tanto tempo sem querer nada em troca. Nelas entregou-me o que ainda não sou, porém, o que posso ser, segundo os teus carinhosos conselhos.
Me recordo dos dias em que me ensinaste a pedalar uma bicicleta e a caminhar como homem de bem, a preparar alimentos e a selecionar os ingredientes para uma vida feliz. Minha mãe, tenho andado pouco de bicicleta, mas como tudo que me ensinou, eu não esqueço. Hoje eu corro para chegar rápido onde tua direção me guiou desde os primeiros passos. Minha comida é reconhecida como saborosa pelos amigos que aprendi a cozer. E por mais que tenham tombos e perca o ponto muitas vezes na minha vida, sou persistente em escolher os bons caminhos que me confidenciastes, ao pé do ouvido.
Me apresentastes um Deus criativo e amoroso, que a despeito do seu poder, se esconde quando brinca de pique em meio a margaridas e crisântemos, tuas flores favoritas. Por sinal mãe, me recordo do dia em que a sala estava cheia destas flores, porque todos nós queríamos te cobrir delas.
Eu não posso te escrever desde quando meu filho tinha apenas 2 anos mas hoje, tendo ele 15 anos, me lembro desta minha tenra idade e, por isso, voltei a te escrever. Na verdade você não lerá, não verá, não ouvirá alguém ler para você esta minha cartinha.
Hoje teu silêncio é absoluto, meus presentes são inúteis e não podes comer do meu saboroso alimento.
Hoje não podes ver no que resultou aquilo que era eu, um simples rascunho das tuas melhores intenções e amor.
Uma boa notícia mãe, é que as margaridas e crisântemos continuam florescendo. Espero que Deus agora brinque de pique em meio a elas com a senhora. Daqui eu sinto o doce perfume das flores, o que alivia a dor da minha saudade.
William Mendes
"Este poema é uma tenra homenagem a tua mãe, porque a minha inspiradora, a Sra Hele Nice dos Santos Mendes, não vive mais entre nós. Filho, ame tua mãe. Mãe, ame teu filho. Antes que não haja mais como compor uma história linda como a minha e de minha saudosa mamãe."
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